sábado, 16 de julho de 2011

Qualquer Coisa...

Dei por mim no céu.
Azul sem fim.
Com asas vou até ao limite,
Sem asas vou até ao infinito,
Livre, vadiando por aí
Sem saber onde ir,
Sem destino para me cruzar.
Sozinha, sem ninguém!
Não desisto! Para me consolar
Agarro-me,
Às bases para me erguer.
Mas quando nos tiram as pessoas
que nos fazem falta,
Não podemos ser quem fomos.

Cada lágrima que corre
Pelo meu rosto
É um pouco de mim que morre.
Deslizando pela oval abaixo
Ardente,  sufocante.
Como se as entranhas me arrancassem,
Como se a alma me
Possuíssem.
Cada lágrima que corre
São gotas de alma que
O coração vai soltando
Ao sabor da emoção.

Livre vadiando por aí
E por lá
Agora tudo
Agora nada
Agora só, agora abandonada
Pela linha da vida
Refugiando-me
Nos meus pensamentos,
Perco-me sem rumo.

Correndo,
Ora deslizando
Ora escorregando
Ora caindo
Ora tentando esquivar-me
Aos obstáculos.

Quando próximos
Nos metem o pé
Jamais nos conseguiremos
Levantar de cabeça erguida.
Quando terceiros
Nos metem o pé
Jamais conseguirão andar.

domingo, 10 de julho de 2011

Amor

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo, é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar, é quem não tem medo do pai. É quem fode sem carinho, quem se acaricia sem vontade de ficar junto. Não tem namorado quem não sabe o valor das mãos dadas, do carinho escondido na hora em que passa o filme, da flor tirada do muro e entregue de repente, da ânsia enorme de viajar juntos de metro, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete intergalático. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer a cesta abraçado, fazer compras juntos. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas a olhar no mistério do outro dentro dos olhos dele, esquecidos pela alegria e lucidez do amor. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente ao meio da tarde ou de madrugada. Quem ama sem se dedicar, sem brincar, quem vive cheio de obrigações, quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz, quem não fala sozinho, quem não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afectivo. Agora ama quem anda como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada uma trazendo uma pérola falante a dizer frases vindas de um conto de fadas. E eu tenho-te como meu namorado porque enlouqueci aquele bocadinho necessário que fez a vida parar e de repente parecer que contigo tudo faz sentido.